domingo, abril 22

Em tom de resposta a José António Saraiva

http://sol.sapo.pt/inicio/Opiniao/interior.aspx?content_id=46207&opiniao=Pol%EDtica+a+S%E9rio


Elevadores, passagens tão temporárias e interessantes.
Os elevadores têm a capacidade de criar um espaço forçado de observação, tão pequeno, mas tão abundante em objectos de análise.


Ora portanto, quem inclina a cabeça e cruza os pés o faz para desafiar as autoridades? E fá-lo para ser irreverente? Ou será que cada um tem a sua maneira de ser, uns mais extravagantes outros mais reservados?
No caso do rapaz que o Sr. José António Saraiva acabou por encontrar num elevador, talvez ele fosse assim mais "saído" (digamos assim à falta de melhor palavra) porque já passou por gozações e reprimendas suficientes para conseguir, hoje, mostrar quem realmente é, com confiança. Se gosta de vestir roupas coloridas e de inclinar a cabeça, porque não? Incomoda alguém?


Consigo perceber o ponto de vista que se quer transmitir naquele artigo, mas discordo totalmente. 
Aquilo que hoje em dia falta é exactamente aquilo que aquele rapaz representa: afirmação do individualismo de cada um. Embora iguais, somos todos diferentes. E são estas diferenças que nos tornam indivíduos dentro da massa populacional onde nos inserimos diariamente. E são os indivíduos que vão quebrar o pensamento em massa. 
Basta um questionar, levantar a voz e dar a sua, a sua opinião, para colocar os restantes a pensar. Mas é preciso que alguém questione. E para alguém questionar, há que aceitar o pensamento livre de cada um. Pensamento esse que é diferente do meu e do teu. 
Mas numa sociedade tão retrógrada como esta que acabamos de ver (e sim, considero aquele artigo como a opinião de uma sociedade e não de um só, porque a sociedade são "uns sós" em conjunto, onde também nós, indivíduos, fazemos parte) parece-me difícil haver alguém que se levante. Porque quem se levanta é suprimido por quem acha ter o direito de estar em pé. E quem é que se acha ter o direito de estar em pé? Pessoas com uma opinião como a que acabámos de ver. Pessoas que acham errado mudar o pensamento que antigamente se seguia. Pessoas que acham errado acreditar em algo mais que não Deus, família constituída por pai e mãe casados e filhos, e um trabalho para pôr o pão na mesa. E se eu acreditar na espiritualidade livre, na Natureza, numa família constituída por amor e num trabalho que eu o faça não só pelo dinheiro, mas por me completar?
Sou egoísta por não partilhar os mesmos valores de antigamente? Magoo alguém por me afirmar enquanto cientista, pessoa de espírito aberto que acredita em reflexão e aprendizagem, num amor cego que não vê géneros ou contratos matrimoniais?


A crítica feita não é só dirigida a homossexuais. Aos meus olhos, esta crítica veio em nome de todos os que não querem mudança no estilo de vida a que estão habituados.
A minha resposta? Preocupem-se com o vosso umbigo e deixem ser quem tem de ser.