sexta-feira, agosto 27

Estás cego?

Enquanto escrevia o último post, apercebi-me de algo.
Não é nada que nunca tenha ouvido. Aliás, é uma das coisas que mais oiço, mas nunca acreditei nisto.


A dada altura, enquanto pensava no porquê de apagar o que escrevia, vi que a resposta esteve sempre dentro de mim. Não foi preciso procurar em Googles nem em Wikipédias para descobrir: bastou um simples estimulo para que o cérebro acordasse e partilhasse comigo A resposta.
Passando do caso particular para o geral, creio que isto possa ser uma regra a aplicar nas nossas vidas: sob a influência do estímulo, do incentivo ou até mesmo, se preferirem, da pressão correcta, somos capazes de responder a tudo o que se depara à nossa frente. Todos os desafios têm soluções e todas as incertezas têm luz! Basta estarmos no sítio certo, à hora certa, e de mente aberta, criando o ambiente correcto para solucionar o que for preciso.

A resposta sempre esteve connosco, nós é que nunca a vimos.

*Bea

O Nada

Sentei-me,
liguei o computador,
abri o Safari,
entrei no Armazém,
cliquei na Nova Mensagem,
e paralisei.

Como?
Saí da sala com uma vontade de escrever, consumia-me por dentro. Sabia que tinha de parar o meu mundo por uns breves instantes e concentrar-me numa única coisa: escrever.
Queria silenciar tudo o que me envolve e ouvir apenas as teclas a ressoar consoante cada letra que no ecran aparecia e a musica ambiente que escolhesse.
Queria pintar uma história ou recitar um poema.
Queria criticar uma memória ou decifrar um enigma.
Não sei bem o que queria, mas sabia que tinha de escrever.
Mas por vezes o impulso que sentimos dentro de nós não é o suficiente - como é, claramente, o caso. Não basta querer para acontecer.

Tal como já disse, sentei e bloqueei. Tudo o que escrevia, apagava. E porquê?
Antes de todos estes parágrafos não sabia a resposta a esta simples questão, mas agora talvez já saiba. Apagava porque tudo aquilo eram coisas previamente pensadas, delineadas. Não era o que sentia, era o que ensaiava.

Bela lição a retirar do Nada: não ensaies, faz.

*Bea

domingo, agosto 22

My head's so f*cked up

Sabem aquela capacidade incrível da nossa mente? Aquela de ela se transformar num pequeno iPod e tocar aquilo que nos vai na alma? Ora bem, acontece que estou farta desta capacidade. O meu iPod tem insistido incessantemente em duas e só duas músicas. Não toca mais nada. Quando me dá para olhar para o vazio, lá vem ele; quando me apetece fechar os olhos, lá vem ele; quando fico a sós com os meus pensamentos, lá vem ele.. Assim não dá!
Uma chama por ti; a outra deseja-te nada mais nada menos que o Inferno. Isto não me ajuda! Preciso de uma certeza, mas até o meu inconsciente está confuso! Como é que é suposto eu saber, o meu Eu exterior saber, se nem o Eu interior sabe?
É que quando te vejo, o meu coração dispara, todos os problemas desaparecem e o mundo parece ganhar um brilho espantoso. Mas, também quando te vejo, eu morro mais um bocadinho por dentro, a alma pesa-me e todo o mundo se transforma num revoltante mágoa cinzenta.

Muito simplesmente, ora te estou a dizer: "Is it me you're looking for?"



ora "When you see my face, hope it gives you hell".



What a mess =/

*Bea

Vaidade

Sonho que sou a Poetisa eleita,
Aquela que diz tudo e tudo sabe,
Que tem a inspiração pura e perfeita,
Que reúne num verso a imensidade!

Sonho que um verso meu tem claridade
Para encher o mundo! E que deleita
Mesmo aqueles que morrem de saudade!
Mesmo os de alma profunda e insatisfeita!

Sonho que sou Alguém cá neste mundo...
Aquela de saber vasto e profundo,
Aos pés de quem a Terra anda curvada!

E quando mais no céu eu vou sonhando,
E quando mais no alto ando voando,
Acordo do meu sonho... E não sou nada!...

Florbela Espanca


*Bea

Abóbora


Abri-lhes a porta. Aliás, abro-a sempre que me distraio. 
E eles entram sem serem convidados, coisinhas rudes. Devem pensar que podem dançar qualquer melodia tardia. 
E eu deixo-me embalar nessa dança estranha e etérea, algo grotesca. Danço a valsa que nunca aprendi e que não tenho jeito para dançar. Mas mexo-me, mexo-me na imobilidade absurda do meu corpo que lentamente escorrega para o esquecimento…
Só que eles não me permitem esquecer, então danço, danço, danço, danço…
É o baile da meia-noite mas eu não sou a Cinderela. Não, sou a abóbora. E porquê? Porque me apetece. Porque as abóboras não precisam de sapatos por isso não os perdem. As abóboras são práticas, giras e são cor-de-laranja, o que é bom. Sim, até porque se fossem roxas eu preocupar-me-ia com o que andam a meter na terra para as alimentar. Apesar de não ser mau de todo se pensarmos nisso, até era exótico e interessante.


Bem, a festa vai boa, vai estranha, vai intemporal, vai surrealista e eu fico entorpecida nos meus próprios sentires e existencialismos.
Como aperitivos temos as memórias, para beber há ideias.


Mas e agora? Eles não me deixam parar de dançar!
Não me deixam…


Mas Eu, eu danço porque quis.
Eu danço porque quero.
E amanhã, se a música tocar, dançaremos de novo todos juntos no estranho baile da meia noite em que eu sou a anfitriã e eles, os sentimentos.



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No Verão, a nostalgia toma uma cor dourada, veste-se de um tempo próximo e fresco que assoma à cabeça repetidamente, em intervalos de tempo regulares.
Por isso tenho de dançar com eles todas as noites.
Até a música cessar.
E aí danço sozinha, nos sonhos.


Amanhã voltaremos a dançar.


*Bea

[...]

As férias de Verão são um parêntesis no decorrer normal do tempo.
Por vezes sinto que fui sugada para uma dimensão diferente em que as regras do mundo em que vivemos não se aplicam.

Sem exageros. Até o céu tem um azul diferente.


É fascinante, são a única altura do ano em que há tempo para perder tempo!
A música torna-se mais definida e os ritmos misturam-se, para preencher a vastidão branca das horas.
Os dias ocorrem e sucedem-se, luminosos, sem sombra das responsabilidades de outrora.

Mas isto é apenas uma pausa. Este tempo, esta dimensão, afinal sempre está limitada por uma regra; a de ser finita.
E os deveres são um boomerang muito pesado, mesmo que se atire muitas vezes, volta sempre.
O seu regresso irá assinalar o fim.. de um ciclo.

*Bea

Luz da Cidade


A luz da cidade ofusca o brilho das estrelas, mas não lhes tira o encanto, não senhor!
Naquele sítio onde a vida das ruas quebra, apenas tens a escuridão que te envolve, o som do mar que te aconchega, areia húmida por onde caminhas, talvez com incerteza, talvez com segurança e uma música electrónica um pouco mais distante.

Está escuro, não vês nada a não ser o que queres. Acaba por se tornar estranhamente aliciante, o que te impelir a avançar mais e mais. 
O horizonte? Sim, dá para o distinguir pelas luzes ocasionais de um barco pesqueiro, perdido por aí. Mas ele não te vai ajudar, por isso, porque o procuras?

A imensidade da questão reside no céu estrelado que cobre tudo e que te faz respirar fundo, sentar, olhar e divagar. Afinal também fazes parte do espectáculo! Afinal valeu a pena.
Se olhares com atenção, vês para além das estrelas, da Via Láctea, vês muito mais além. Vês tudo o que te faz existir e o quão insignificante és perante essas (in)constantes.
Se ao menos as luzes da cidade fossem um pouco mais distantes… Poderias ver com mais clareza.
Só que elas não vão sair dali. E então? Vais ficar sob as luzes da cidade perdido? Ou vais-te esquivar delas?

*Bea

sábado, agosto 21

Roads



*Bea

Insónias


Estava ainda agora de olhos fechados a tentar dormir, mas sem sucesso.
Ora vira para um lado, ora para o outro, ora abre os olhos e fita o tecto.. 
Já um pouco cansada pensei ser a altura ideal da visita do João Pestana pelo que me ajeitei fechei os olhos e esperei pelo sono.
Tudo o que vi quando fechei os olhos foi um breve vislumbre de ti. Vi-te com a cabeça n meu colo, vi-te enquanto me (per)seguias pelas bancadas, vi-te a olhar para mim, vi-me no teu colo e vi-me com aquele sorriso tão característico de quando olho para ti, penso em ti ou sequer imagino.

Isto não é certamente alucinação! Eu, aliás ninguém alucinaria com tanta precisão. Eu vi a camisa às riscas, o cabelo desalinhado, a barba por fazer, o sorriso enviesado, os olhos cintilantes, e, acima de tudo, eu senti o teu calor.
E eu sentia-te: a tua mão na minha, o teu abraço na minha cintura... Meu Deus! Parecia que estávamos de novo naquela noite de Maio, que nenhum tempo se tinha passado e que nenhuns conflitos se haviam travado. Podemos voltar para lá?

Diz-me que sim.

*Bea

sábado, agosto 14

Desconfia

Acabei de aprender uma lição: ouvir sempre a nossa intuição, o nosso primeiro parecer.
Fiz o contrário e agora estou pior que estragada. Sinto-me fisicamente esgotada, saturada, cansada, sem forças. E para ajudar a situação toda vem um engraçadinho gozar com a minha cara. É a última coisa que preciso.

Façam o que eu não fiz: Confiem nos vossos instintos.

*Bea

All Over Again

Preciso mesmo de vir escrever, isto está-me a remoer na cabeça!


Estas últimas semanas têm-me feito sentir como se fosse Janeiro all over again:
Tu falas comigo, mandas sms, fazes promessas;
Eu falo contigo, respondo às sms, acredito nas tuas promessas.


Isto é demasiado estúpido! Tu cativas-me, sim. E não, tu não és a perfeição em pessoa e tens os teus defeitos, mas ninguém é perfeito! Tu tens é menos defeitos que os outros, ou mais qualidades. Não sei, talvez até sejas um sacana. Aliás, és um sacana. Brincas comigo, brincas com o meu coração.. E eu? Eu vou atrás.


Será que não aprendi nada?
Aprender, aprendi. Mas apetece-me cair na tua teia, apetece-me deixar ser levada pelas tuas vãs promessas, apetece-me seguir cegamente tudo o que dizes, apetece-me ser ingénua, não acreditar no que sei, pensar que desta vez vai ser diferente.
Vais ser diferente?
Espero bem que sim.
Até porque eu quero conseguir confiar nas palavras que escreves.
Até porque eu quero poder dizer o que sinto.
Até porque eu quero tocar-te.
Até porque eu quero sentir-te.


*Bea

sexta-feira, agosto 13

Como Sobreviver à Vida?

Como sobreviver à Vida?
Esta questão é posta por tantos e tantos e fica a pairar no ar, em nós, nos outros, mas sempre (ou quase sempre) sem resposta.
Também eu parava e procurava solucionar este problema, conseguindo apenas encontrar fantasias, convencendo-me de que não preciso de me preocupar com tal coisa, até porque a mim nunca acontecerá nada de mal!
Pois acontece que com o passar do tempo, com o ganho de experiências tenho vindo a aperceber-me de que a Vida não escolhe quem vai tramar a dedo.. Não, ela escolhe quem muito bem lhe apetecer, sem qualquer razão aparente - portanto ao acaso. Tendo isto presente, cada vez mais me questiono: Como irei Sobreviver à Vida?
Pois hoje cheguei a uma fantasia muito menos inatingível. Aliás, arrisco-me a dizer que é a solução ao nosso problema. Ora ouve:


Once upon a time um camponês perdeu o seu burro. Ele procurava e procurava e não o encontrava.
Um certo dia o camponês resolveu ir passear, aproveitando o belo dia de sol. Foi andando e andando até que ouviu um ruído. Parou e escutou melhor. Aquilo não era nenhum ruído! Era um som para ele muito familiar: o zurro do burro.
Correu seguindo o som ate chegar a um poço muito fundo. Chegou-se perto dele e olhou para baixo. Para seu grande espanto lá encontrou o seu burro.
Estava feliz por o animal não ter morrido, mas frustrado por não saber como o tirar de lá. Passadas várias horas a pensar em estratégias e esquemas, o camponês resolveu desistir insatisfeito com os seus esforços em vão.
No dia seguinte chamou toda a aldeia para o ajudar a encher o poço com terra. O burro já era velho e há muito que não comia nem bebia. Não devia aguentar muito mais tempo.. Então assim o camponês se convenceu de que seria um funeral digno para o burro, e uma boa acção para o resto da aldeia, prevenindo assim futuros incidentes.
Todos se juntaram, cada um com a sua pá e o seu monte de terra para fechar o poço. Começaram a lançar terra e o burro zurrava incessantemente. Passado umas longas horas, todos se espantaram quando o burro se calou. Fizeram um minuto de silêncio e prosseguiram o soterro do poço.
Depois de mais umas quantas pazadas, o camponês voltou a olhar para dentro do poço, e qual a sua surpresa quando viu o que acontecia a cada pazada. Pelos vistos, sempre que terra era lançada para dentro do poço e caía em cima do animal, este sacudia-se, fazendo com que a terra caísse no chão. Com o constante aumento de terra dentro do poço, o burro conseguia ir subindo cada vez mais alto até chegar ao topo. Cada pazada equivalia a uma sacudidela, que, por sua vez, equivalia a um novo degrau!

Aprende com o burro! Também a vida te vai atirar terra para cima, terra de todas as formas e feitios. Mas tu, o que vais fazer? Vais deixar que ela te soterre? Ou vais sacudir a terra e usá-la como escada?
Todos os obstáculos são oportunidades! Não há problemas, apenas desafios que testam a nossa capacidade de os ultrapassar!

Faz a tua própria escada e usa-a.

*Bea

terça-feira, agosto 10

Poetry

Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços...


Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca... o eco dos teus passos...
O teu riso de fonte... os teus abraços...
Os teus beijos... a tua mão na minha...


Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri


E é como um cravo ao sol a minha boca...
Quando os olhos se me cerram de desejo...
E os meus braços se estendem para ti...


(Florbela Espanca)



De longe a melhor poetisa de SEMPRE


*Bea

domingo, agosto 8

Avô

Hoje à hora do almoço o Pedro começou a mandar vir, falando mal do meu bolo. Ao ouvir tal coisa, o avô disse-lhe em tom de brincdeira:
"É melhor errar que não tentar."

Pode ter sido dito numa situação mais leviana, mas por alguma razão esta frase ficou a ressoar na minha cabeça. É verdade, pura verdade! Mais vale errarmos tentando do que não termos qualquer tipo de influência, do que adoptarmos uma posição passiva, deixando tudo passar ao lado sem nada fazermos.

Claro que é sempre bom quando vemos os nossos esforços recompensados, as nossas tentativas bem sucedidas. E também penso ser claro nós não querermos errar, muitas vezes pensando que mais vale estarmos quietos do que falhar.
Mas para quê ficarmos quietos? Nunca temos a certeza se vamos suceder ou falhar!
E agora?
Vamos ficar quietos? Vamos parar? Deixar que os outros fiquem com as NOSSAS oportunidades?
NÃO! Vamos reagir, vamos lutar, e sim, vamos falhar! Para quê? Para aprender e para a próxima não falhar!

Quem está comigo?

*Bea

sexta-feira, agosto 6

Enquanto




Enquanto o sol brilhar
Enquanto o rio correr para o mar
Enquanto houver luar
Enquanto o mundo não parar
Enquanto o sol nascer e o fogo arder e o meu coração bater
Eu vou estar aqui para ti

Adoro-te Melhor Amiga 

*Bea

domingo, agosto 1

*CRASH*


"Be careful with it, it's fragile"
*CRASH*
"Eh, it was worthless anyways..."

People know what they do.
They frequently know why they do what they do.
But what they don´t know is what they do does.
 
*Bea

Enough

I'm done trying.



Thanks for not coming.
For not answering.
For not give a shit about it.


I give up.


I won't care anymore.
 
 
* Bea