quarta-feira, outubro 26

Default Answers


Tudo o que oiço são default answers. As pessoas perderam a capacidade de fundamentar o que dizem com algo que realmente acreditam. Tudo o que sai das suas bocas são frases feitas que, com tanto uso, já perderam o seu sentido, o seu cerne.
O que hoje em dia é dito com tanta vulgaridade foi outrora um símbolo de sabedoria:
"Não me julgues sem antes teres estado nos meus sapatos."
"És o meu orgulho."
"Há quem não saiba quando calar."
"A palavra é prata, o silêncio é ouro."
"O homem comum fala, o sábio escuta, o tolo discute."
Vai por mim que sou ourives: se ouvires alguém a dizer alguma coisa minimamente semelhante, pede-lhe para explicar porque é que está a dizer aquilo, como é que se enquadra no seu dia, o que é que aquilo significa para ele. Depois espanta-te por não obteres resposta a nada.


O grande problema de hoje em dia é as pessoas tentarem ao extremo mostrarem-se superiores, mais sábias e vividas que os outros. No meio de tanta tentativa de mostrar, esquecem-se de fazer. E sem viver, sem reflectir, não receberão a sapiência que vem associada à experiência; não crescem em conceito, ou seja, não evoluem o raciocínio, não abrem a mente nem despertam a descoberta. Simplesmente limitam-se a seguir os outros. A individualidade (aquela coisa que mostra quem és, o quão único és) ficou perdida algures entre o medo de se afirmar e o receio de errar. Para evitar qualquer cabeçada na parede, desistiram de explorar o mundo que está entre os ossos frontal, parietal, occipital e temporal - o seu próprio mundo.
Nele encontram-se os nossos valores. Não os incutidos diariamente, mas a nossa avaliação deles. Lá dentro encontram-se histórias fantásticas e conclusões fascinantes. Estão guardadas as análises mais detalhadas do dia-a-dia, as deduções que de uma situação retiramos e guardamos tão nossas como o sangue que em nós corre.
Nada substituí a tua opinião, a tua vera opinião. A ideia da Joaquina não é a tua, os gostos do José não são os teus, a maneira de ver as coisas da Francisca não é a tua e, principalmente, o raciocínio dos outros não é o teu! E o teu é tão bonito. É tão interessante, tão fascinante, tão complexo e cheio de entrelinhas, tão cheio de pedacinhos de ti!

Não te deixes desaparecer, de fazer de ti um cliché completo. Diz, faz. Mas di-lo e fá-lo porque queres e sentes. Não porque vês ser dito e feito.

sábado, outubro 22

Fé, Amor e Esperança

Esquerda: No centro, tia Maria Messaros
Direita: avô Jan Szwarc

É assim que tenciono sobreviver à faculdade.
Com fé em mim, nas minhas capacidades, amor pelo que faço e esperança de que um dia consiga ser como eles. Quero que eles sintam orgulho em mim, quero ser capaz de dar continuidade à linhagem de químicos nesta família, quero honrar a visão que esta minha tia maravilhosa tem de mim e quero também honrar a memória do meu avô, o melhor homem (quer dizer, está empatado com o pai) que alguma vez pisou a Terra. 
Não quero ser boa, quero ser extraordinária.
Hopefully, o nome Szwarc vai ser proferido nos quatro cantos do mundo com respeito e admiração.

quarta-feira, outubro 19

Acho uma piada às pessoas que gastam dinheiro para adquirirem educação, mas educação da boa, como lhe chamam, aquela lá de fora dos estrangeiros, mas que passam os dias a tirar fotografias qual sessão fotográfica.

Tosse


Acho piada à tosse.
Mentira, digo mal. Acho piada às pessoas que tossem.
Nem todas precisam de facto de tossir. Há quem tussa só porque ouviu outro tossir.
Isto pode ser observado principalmente em espaços fechados, com pessoas estranhas entre si. Basta o primeiro tossir, que daí a pouco outro tosse e assim sucessivamente.
Porquê? É a ideia de contágio que temos inerente a nós mesmos. Ouvimos tossir, pensamos logo nos germes que daquela boca saem para o ar limitado que temos à nossa disposição, imaginamos os ditos bicharocos a sobrevoarem pelo espaço onde nos encontramos até nos atingirem.
E aí tossimos.

Quem fala de tosse, fala do que quiser.
Tudo pertencente ao ser humano, ou à vida, se quisermos, é contagioso: ideias, maldade, felicidade, doença, euforia, moda, sono, droga, etc etc etc.

O que me faz pensar: quão limitados e dependentes nós somos.
Por muito que queiramos contrariar, somos levados por essa corrente que alguém começou mas deixou em aberto para outro fechar. O problema é mesmo achar esse outro que saiba como fechar tal ciclo vicioso.

domingo, outubro 9



Tanto para dizer e tão pouco tempo para falar.
Estou a aprender a gerir o tempo. Estou a aprender o que fazer e o que deixar passar. Estou a aprender como as coisas realmente funcionam. Estou a aprender o significado de responsabilidade. Estou a aprender o significado de autonomia. Estou a aprender o significado de livre-arbitrio. Estou a aprender o significado de amor. Estou a aprender a conviver. Estou a aprender a manter a distância.
Estou a começar a ver tudo, tudo, com novas cores. Talvez por ora um pouco sombrias, mas com o tempo o inesperado passa, infelizmente, ao comum, e deixamos de nos espantar com a quantidade de  maldade doentia que se pode encontrar ao virar da esquina.