terça-feira, agosto 28

da ausência sob disfarce


Ultimamente não tenho para aqui escrito nada com grande interesse de se ler.
Talvez se deva ao facto de agora medir melhor as minhas palavras, talvez seja por preferir escrever com papel e caneta a pressionar uns botões. O que sei é que tenho estado um tanto ausente e quando apareço é para dar dois dedos de conversa e vou-me embora.
Muito tem mudado desde a última vez que escrevi algo com pés e cabeça. O meu estilo de vida mudou, os meus relacionamentos mudaram, eu mudei. Mas parece-me ser algo inevitável. Com a inexorável passagem do tempo, todos temos vivências que contribuem para um ajuste à nossa personalidade, para uma contínua mudança. Todos mudamos.
Pergunto-me se ainda somos o que de nós conhecíamos. Todo o processo de alguém se compreender a si próprio, de reconhecer as suas próprias atitudes é deveras complexo e moroso. Talvez pensemos que somos uma coisa, mas na realidade já somos outra. Talvez a ideia que hoje temos presente de quem somos seja, na realidade, uma ideia que corresponde ao nosso passado. Com a constante mudança pode ser que nos percamos, entre conseguir sobreviver dia após dia, quebrar a rotina, agradar a quem nos rodeia, atingir metas que haviam sido estabelecidas; o tempo de reflexão e auto-descoberta é muitas vezes desvalorizado e esquecido. Mas não devia. O tempo dispensado na auto-descoberta, será tempo ganho à posteriori, quando nos depararmos com uma situação que, sem esse à vontade de estarmos na nossa própria pele, sem essa confiança, nos faria duvidar de nós próprios e atrasar, senão impedir, decisões cruciais.
Acho que o que quero realmente dizer é que temos de agradecer por quem somos, mas antes temos de saber quem somos. Temos de gastar mais tempo connosco próprios. Temos de nos conhecer e de nos apreciar.
Temos uma sociedade cheia de pessoas superficiais, perdidas. Não temos a capacidade de governar a nossa vida se não formos capazes de estar em sintonia com a nossa pessoa. Isto acaba por culminar num mundo de preconceitos, falsidade e drama. Temos de começar em nós e daí partir para os outros.

terça-feira, agosto 21

Não tenho sono.



É engraçado, no mínimo,olhar para trás e ver como tudo mudou, como tudo muda: a natureza dos nossos relacionamentos, a nossa caligrafia, o modo como encaramos o mundo.
O ser humano está destinado à constante mudança e a ter uma única certeza: nada é certo, nada é para sempre. Esta perspectiva algo dramática faz-nos, faz-me, reavaliar as minhas prioridades: o que ter mais em conta? o que ignorar?
Por vezes é imperativo reajustar os nossos valores, verificar o que realmente importa versus o que é acessório. Esta reavaliação vem, maioritariamente, de acontecimentos inesperados, que nos chocaram e, praticamente, obrigaram a reflexão.

O que me importa actualmente?
Amizade: seja dentro do seio familiar ou da família alargada;
Comunicação: sem esta nada temos, nada somos, nada compreendemos;
Mente aberta: não estou na posição de rejeitar nada só pela simples razão de não me querer expor ao desconhecido;
Espírito crítico: aspecto fundamental no desenvolvimento de todo o ser que se digne autoproclamar-se inteligente/capaz/independente.

Tendo isto dito, tudo o resto é acessório; virá, com certeza, como consequência dos pilares acima listados.

Estudo/Conhecimento? Consequência de: Mente aberta + espírito crítico + comunicação.
Amor/Relacionamento? Consequência de: Amizade + mente aberta + espírito crítico + comunicação.

A lista poderia continuar mas a resposta estaria sempre na conjugação de alguns ou todos os tópicos que "importam".

Sinto-me algo orgulhosa da minha lista de valores. Gosto de quem me tornei, de como vejo as coisas, de como encaro determinadas situações, de como sou capaz de analisar e interpretar a mesma ideia segundos diferentes perspectivas. Há, porém, algo que gostaria de melhorar: a minha capacidade de concluir este tipo de textos. Assim sendo,

Boa noite,
Melhores cumprimentos,
Beatriz.

21/0872012 - 01h12