segunda-feira, março 19

Relativamente ao Dia do Pai


Um dia pediste-me para, quando me sentisse preparada, dizer-te o que achava de ti. Aqui vai:

Há algumas semanas tivemos uma conversa no carro. Não sei se te recordas, mas estava a dizer o quão engraçado achava a evolução da visão que de ti tinha.
Começaste como o PAI, a autoridade, o homem a respeitar e amar. Desde pequena que tinha a certeza que nunca me abandonarias, que estarias sempre ao meu lado, fosse para elogiar ou corrigir.
Conforme fui crescendo a ideia de "Pai" foi sofrendo alterações, uma vez que a ideia de Pessoa se foi instalando. Com novos olhos, observava as tuas reacções e analisava-as, ora concordando, ora não percebendo certas atitudes. 
Houve vezes, sim,  em que a minha infantilidade e inexperiência  se sobrepôs  a esta visão evolutiva, e voltava tudo para trás. Mas, novamente, o tempo tudo dita, bem como o que se vive nele.
Hoje posso dizer que te vejo como pai, pessoa, mas principalmente como amigo.
Vejo, reconheço e aprecio a tua bondade e gentileza. Apercebo-me de certas fraquezas, que te tornam humano e indivíduo. 
Mudaste muito  desde que te conheci. Ainda não sei dizer se foste tu que mudaste, se fui eu que mudei a maneira de olhar para ti, ou se foram estes dois em conjunto. Só sei que te amo pai, e como te amo! Cada dia mais, porque a cada dia descubro um novo pormenor que nunca antes havia reparado, seja ele um trejeito teu ou toda uma faceta da tua personalidade que me tinha escapado. 
E com isto, cada vez mais quero ser como tu, Pai. Lutaste. Desde pequeno, criança, até hoje adulto. A tua vida resume-se a isso mesmo: luta. Uma luta com olhos postos no MELHOR. Em tudo ambicionas o melhor, e em tudo, a meus olhos, o atinges. 
Se há uma coisa que me fique marcada, que me salte à memória sempre que penso em ti é seguir os nossos sonhos. Mesmo que só os descubramos mais tarde na vida. 
Quero, finalmente, agradecer-te por nunca me abandonares, por seres carinhoso, atento e presente. Especialmente por estares sempre presente e preocupado,  a corrigir ou a indicar uma melhor solução do que a por mim escolhida.
Sinto que hei-de ser uma grande mulher, pois tenho um grande homem como exemplo.

Feliz dia do Pai.

sábado, março 17

Feeling Good


Hoje acordei-me e senti-me bem na minha pele. Senti-me mesmo. Sem razão aparente. Simplesmente acordei assim.
Estou gorda? Sou feia? Estou numa encruzilhada? Sou convencida? Estou sem tempo para nada? Sou incapaz de manter um relacionamento? Nada me passou pela cabeça. Acordei feliz.

Pontualmente, por alguma razão, somos envolvidos por uma aura de magia, leveza, segurança. E temos a certeza que o dia só nos pode correr bem, correndo ele bem ou mal, pois estaremos sempre bem com o que quer que aconteça (faz-vos algum sentido?).

E assim foi. Hoje não aconteceu absolutamente nada, mas ainda assim foi o melhor dia desde há muito tempo. Porque eu estava assim. Contente. Com um sorriso. Sem razão aparente.


sexta-feira, março 2

I can ('t) hear you.


Liberdade de Expressão? Sim!
Ela existe, é um facto adquirido. Cada um pode dizer o que pensa, é incentivado a fazê-lo. É da liberdade de expressão que nos afirmamos enquanto indivíduos. Esta deve, no entanto, ser comedida.
Eu tenho o direito de dizer o que bem quero e me apetece, mas tenho o dever de colocar a mão na consciência e ponderar se será adequado, ético ou até mesmo inofensivo dizê-lo.

Tomemos por exemplo uma pessoa que se opõe fortemente ao aborto. Esta pessoa defende a sua causa utilizando discursos enraivecidos direccionados ao ouvinte (e por ouvinte entenda-se alguém que por ela passe). Ela tem o direito à sua opinião, mas deve ter em conta o pasado dos seus ouvintes. Quem saberse a pessoa a quem dirige o seu enraivecido discurso teve de abortar por falta de fundos para criar uma criança, por ter sido vítima de violação ou por puro receio devido à sua tenra idade?

Sou a favor da liberdade de expressão, mas com moderação.
Nem tudo o que pensamos ou acreditamos é ouro. Nem tudo é certo ou sequer lógico. Mas nós não temos, muitas vezes, o poder de avaliar a nossa opinião imparcialmente. Há alturas em que é perfeitamente possível dar um passo atrás e olhar para a ideia de manera global e objectiva, mas há outras que pensamos tê-lo feito, embora na realidade não tenhamos sido tão objectivos como consideramos.
Deste modo entramos na zona cinzenta das interacções sociais: acreditamos no que dizemos, vêmo-lo como uma verdade irrefutável e somos tentados a impingi-lo a nossa verdade aos outros que não partilham essa visão, muitas vezes sem analisar a situação desses outros. Quem fala em temas previamente formulados, também se refere ao que nos sai "disparado: comentários agressivos encharcados de preconceitos acerca dos quais ainda nem temos opinião formada.
Em que contexto?
Falar sobre morte a pessoas que recentemente sofreram uma perda; rejeitar/desprezar outras culturas que não a nossa à frente de pessoas cuja família seja multi-cultural; gozar/menosprezar o conceito de religião à frente de quem só tem a religião onde se apoiar. Os exemplos são demasiados para continuar a listar.

Escrevo apenas em jeito de apelo a uma maior ponderação ao que vos, ao que nos sai boca fora. Pode magoar. Aliás magoa, atinge, marca, por vezes permanentemente.
Não custa nada adoptar uma atitude diplomática, nem apática, nem extravagante; diplomática.