quinta-feira, dezembro 16

Agora

Agora é a hora de ouvir tudo com mais clareza.
Agora é a hora de sentir tudo com mais significado.
Agora é a hora de ver tudo com mais definição.
Agora é a hora de ao ler, ouvir o eco do que se é lido em nós, e não apenas ler o que está apresentado.
Agora é a hora de compreender com o ser, e não com a mente.
Agora é a hora de reflectir sobre tudo antes de opinar.
Agora é a hora dos estratagemas.
Agora é a hora da fluidez e da serenidade.
Agora é a hora do momento e da loucura.
Agora é a hora da felicidade e da tristeza.
Agora é a hora de SENTIR.
Agora é a hora de VIVER.

Agora é a NOSSA HORA.

*Bea

A Espera

Espero-te até o momento em que oiças as minhas palavras.
Espero-te até ao momento em que estas saltem do monitor e te encham a cabeça com sons e ecos a reproduzi-las. Até ao momento em que cada texto te sugira uma reflexão e interiorização. Até ao momento em que a complexa simplicidade das coisas deixe de existir e seja substituída pela sua simples complexidade. Até ao momento em que o teu mundo se expanda. Até ao momento em que deixes de saber e passes a compreender.

Espero por vós até que chegue a vossa altura de esperar por alguém e me possam fazer companhia.

Ansiosamente,
*Bea

segunda-feira, dezembro 13

Amo-te

Cada um é como é.
Cada um é o que é. E o é devido às várias variáveis que compõem a sua personalidade.
Uma dessas variantes é exactamente a maturidade.

Nós facilmente distinguimos uma pessoa imatura de uma matura.
Os seus actos, o que diz, como reage, são tudo pequenas peças de Lego de uma enorme construção, construção essa que nada mais é que a essência da pessoa. Essa essência poderá estar mais trabalhada, poderá ter vivenciado mais, como poderá ser mais infantil e ainda não se ter desenvolvido. E isto é visível.

O que não é tão visível é o estado de maturidade dentro de alguém já maturo. Como é que conseguimos analisar todo o processo que decorre por detrás de um pensamento? De um acto? De um dizer? Não conseguimos. Não conseguimos medir a complexidade da linha de raciocínios, a profundidade dos sentimentos, se as palavras são veras (até porque elas o são, porém, a longevidade da veracidade varia consoante a realidade de cada pessoa, varia consoante as experiências e lições delas aprendidas).

Eu digo isto, e digo-o com toda a certeza que agora me é possível dar. Amanhã talvez esta certeza ainda seja a mesma, mas quem sabe, depois de amanhã, ao ler isto, direi "oh Beatriz, não sabias nem metade da história". Pode não ser depois de amanhã, mas é claro que a minha capacidade de compreensão aumentará! Perceberei mais e mais de tudo o que vivo. Porque nós somos assim. Estamos destinados à constante evolução. Os próprios conceitos evoluem. Uma palavra hoje pode ter um significado, mas num futuro que aí se aproxima poderá (vai ter) um outro tão mais profundo.

E é neste contexto que o "amar" e o "amo-te" vêm. Há quem os use simplesmente por usar - os imaturos - há quem os use simplemente em alguns casos porque já "sabem" que é um termo importante - os maturos - e há quem os use em um e um só caso - os crescidos.
Aquilo que se diz para o "amo-te", diz-se para todas as acções de que somos responsáveis.

Mas nós, desde o que somos até crescidos ainda vai muito. E cada vez mais espero que a minha fase de crescida demore muito a chegar porque cada vez mais gosto desta fase em que me encontro: numa fase de maturidade suficiente para perceber certas coisas e para a auto-descoberta onde tudo, todos os episódios, todas as palavras, todos os sentimentos, todas as recordações parecem ter novas cores, mas imaturidade suficiente para me ajudarem e guiarem quando sinto que estou no escuro.

*Bea

quarta-feira, dezembro 8

O bom da febre

... é que nos dá belíssimas alucinações! Tive um sonho espectacular, não gozem.

Na casa-de-banho dos avós, encontro-me eu a embonecar-me para um evento que mais tarde aconteceria, quando me chamam escadas abaixo (facto engraçado porque a casa dos avós não tem escadas) para me despachar que me ia atrasar. Nisto todo o cenário muda e estou num descampado com um palco a frente e duas míseras filas de gente para assistir aos Likin Park. Estranhamente estava lá com a minha mãe, a Isabel e o Gonçalo, que se devem ter materializado enquanto eu estava perigosamente concentrada a pensar onde raio estariam as colunas.
Assim sendo começou o concerto e eu fui a fugir para a fila da frente com o Gonçalo atrás. Cheguei e ainda tinha um bom espaço reservado. Olho para cima e não é que me deparo com uma criatura esquisita: o Chester estava GORDO! Mas era gordo mesmo gordo! Ai que pesadelo.
Enfim, entretanto reparei em dois supostos seguranças, que nada mais eram que dois rapazes nos seus dezanove, vinte anos. Um deles aproximou-se e começou a meter a conversa, a perguntar se estava a gostar e com quem tinha vindo. E nisto novamente tudo muda e eu já estou numa fila, ainda no concerto, para um concurso qualquer. Aparentemente ganhava quem aguentasse mais tempo. O jogo consistia em agarrar uma das laterais de um carrinho do Continente e um dos seguranças puxava-o até a pessoa não aguentar mais. Quem vencesse, não sei o que ganhava.
Enquanto estava na fila, pacientemente a aguardar a minha vez, falava com a Marta que entretanto apareceu. Até que o segurança que há pouco tinha metido conversa volta para o meu lado. Conversámos bastante e descobri que se chamava Paulo. Ora o Paulo: alto, moreno, olhos castanhos escuros, sorriso cativante e voz, bem, nem sei descrever a voz.
Outra vez, volta a mudar tudo e estou de volta ao meu lugar em pé a assistir o Chester a correr para ir mudar de roupa. O Paulo aproveita este break e volta a investir. Desta vez foi tudo mais na base da piada, estávamo-nos a dar até bastante bem, por mais incrível que pareça, até que o Gonçalo volta e de repente já estamos (eu e o Paulo) à frente do palco. Mais precisamente eu sentada no dito do palco com as pernas a balançar e o Paulo à minha frente. Como já éramos dos últimos ali, esta conversa já foi mais calculada, mais estratégica. Ambos estávamos a "apalpar o terreno", a tentar descodificar o que ia na cabeça do outro. Por fim, sem mais desenvolvimentos, demos a noite por encerrada e cada um voltou para a sua casinha.


No dia seguinte fui trabalhar para o meu adorado local de trabalho, vulgo Port Aventura. Estava por lá toda feliz e contente quando o meu pai, mãe e irmão aparecem para um piquenique. Ora eu que já estava com fomeca não recusei.
Estávamos sentados num relvado, quando algo me chama a atenção. Pelo meio da multidão salta-me à vista um dazziling smile. Chamo-o, mas nem fora preciso, já ele vinha na minha direcção. Corri até ele, cumprimentámo-nos e ofereci-lhe uma sandes. Ele aceitou e juntou-se a nós no nosso humilde almoço. Sentado ao meu lado, falou fluentemente acerca de vários assuntos e discutiu diversas perspectivas com os meus pais. Cada vez que falava, eu simplesmente olhava para ele, e ele para mim. Aos poucos e poucos, íamos ficando mais juntos, até que em encostei a ele e pousei a cabeça no seu ombro.
Tudo o que ele faz é colocar o seu braço à minha volta e beijar-me a testa.

*acordei*

Oh Paulo, onde estás? Hoje voltas?

*Bea

domingo, dezembro 5

A sério?

É só da boca para fora ou quando aquela pessoa diz que tu tens uma relação de melhor amizade com ela é verdade?
Como é que isto aconteceu?
Manter uma amizade simples com alguém assim é complicado, mas agora ser-se melhor amigo/a deve ser bem puxado.
Como é que é possível ser-se melhor amigo/a de alguém tão egocêntrica? De alguém tão falsa? De alguém com uma visão tão pequena do mundo? De alguém que te USA?
Ainda por cima tu.
És uma pessoa boa por natureza, simples e alegre, alegria esta que é contagiante. E aturas alguém assim? Esta pessoa só te faz mal! Apegou-se a ti qual lapa em pedra.

Mas, quem sou eu, certo? Não sei nada. Não sou ninguém para julgar.

*Bea

quinta-feira, dezembro 2

Problema

Senti-me suja.
Senti-me corrupta.
Senti-me uma fraude completa, uma ladra apanhada em flagrante!

Tudo isto por um erro que eu achava que tinha evitado. As desculpas foram devidamente pedidas e, graças a Deus, aceites.

Mais uma vez, obrigada Margarida.

*Bea

segunda-feira, novembro 29

Despedidas

Se uma pessoa não se despede, não é por ser mal-educada ou porque se esqueceu de ti. Uma pessoa não se despede porque não se quer despedir! Quer manter-te na sua memória como sendo alguém que continua ali, que não fugiu, que não desapareceu.
O não despedir não passa de um elogio! Quer dizer que és importante, quer dizer que não te querem perder.
Então porque é que te vais despedir? Mais valia ficado(a) quieto(a) sem dar aquele abraço ou aqueles dois beijinhos que ficavas muito melhor, ou pelo menos deixavas a pessoa que estava a partir mais calma. Até porque partir não fazia parte dos planos da pessoa que partia. Até porque a pessoa que partia queria ficar contigo. Até porque a pessoa que partia sentia-se tão mas tão bem ali onde estava antes de partir!

Mais do mesmo, lá está.
*Bea

mais do mesmo

Não é isto o que preciso agora.
Não é de despedidas que me alegro.
Não é de abraços do tipo "não vás embora, por favor" que vejo o dia com mais cores.
Não é de beijos que por si só antecipam a saudade e a angústia que sinto maior conforto.
Não é de estar em casa que me sinto melhor.

Preciso de ti, de vocês.

*Bea

nem mais nem menos

Acho incrível

- a incapacidade de manter uma conversa
- a futilidade
- a imaturidade
- a labreguiçe
- a desonestidade
- a ganância
- a falta de tacto
- a  lata
- a idiotice
- a falsidade.

O que me surpreende ainda mais é mesmo como tudo isto está enrolado num novelo que envolve duas pessoas apenas.
Como é que cada uma delas consegue ter tanta nojice em si e nem se aperceber?
Incrível.

*Bea
Descobri que até eu sei chorar. E quando as lágrimas começam, não param.

*Bea

domingo, novembro 21




Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego
Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho seu como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo
Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público
Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contra-mão atrapalhando o sábado

segunda-feira, novembro 8

O que é que te move?

Texto adaptado de: http://conversasnapraiadalua.blogspot.com/2010/11/o-que-e-que-te-move.html


"(..) Uma das lições mais valiosas que aprendi durante estes anos é que "Cada acção tua vai ter uma reacção de outro", seja ela boa ou má. Tudo, sublinho, tudo tem consequências, por mais ínfimas que sejam. O que dizemos e o que fazemos. E a responsabilidade é toda nossa, quer queiram quer não. 

Depois é um ciclo, as nossas acções são reacções das acções dos outros. Nós é que acabamos por comandar o que nos acontece, ou o que deixamos que nos aconteça. Isto acaba por criar um conflito. Todos querem coisas diferentes, e se nos deixamos estar no nosso lugar a querer comandar a nossa vida sem ter em conta os que estão à nossa volta, das duas uma, ou passamos a ter connosco pessoas infelizes (que vão acabar por deixar de se dar pois deixa de valer a pena) ou acabamos sozinhos. E a solidão é muito triste. Não é por andarmos rodeados de gente que nos sentimos menos sozinhos. Às vezes uma pessoa especial é suficiente para acabar com a nossa solidão, outras vezes cem pessoas não conseguem essa proeza.

Por fim, o que é que nos leva a fazer o que quer que seja? Quais as nossas razões? O que é que nos leva a dar um passo à frente, ou três para trás? O que é que nos leva a ganhar tomates e assumir os nossos erros, ou a fugir com o rabo entre as pernas? O que é que nos leva a prometer, e a cumprir? O que é que nos leva a esperar ou a virar costas? O que é que nos leva a dizer que "sim" ou que "não"? O que é que nos leva a mudar, ou a ficar na mesma? O que é que nos leva a lutar, ou a desistir? 

É dentro de nós que encontramos a resposta e a decisão. 
Tudo depende do que temos a dizer quanto a uma simples pergunta:

"É o medo ou o amor que te move?" "


*Bea
After awhile you learn the difference, 
The subtle difference between holding a hand and chaining a soul.

And you learn that love does not mean leaning, 
And company does not always mean security.

And you learn that kisses are not contracts 
And presents are not promises.

And you begin to accept your defeats with your head up and your eyes ahead with the grace of an adult and not the grief of a child.

And you learn to build all your roads on today because tomorrow's ground is too uncertain for plans, and the future has a habit of falling down in mid-flight.

After a while you learn that the sun burns if exposed for long... And learn that no matter how much you care, some people just do not car...

And accept that no matter how good a person, She will hurt you once in a while and you need to forgive her for that.

You learn that talking can ease emotional pains.

Discover that it takes years to build trust and only seconds to destroy it, and what you can do things in an instant of which you will regret for life.

Learns that true friendship continues to grow even over long distances.

And what matters is not what you have in life, but who you are in life.

And what good friends are the family that allowed us to choose. You learn that we do not have to change friends If we understand that friends change, realizes that his best friend and you can do anything, or nothing and have good times together.

Discovers that the people you most care about in life are taken from you so quickly, So we must always leave loved ones with loving words, may be the last time we see them.

Learns that circumstances and the environment have influence upon us, But we are responsible for ourselves.

Begin to learn that you should not compare with others, but with the best you can be.

Discover that it takes a long time to become the person you want to be, and that time is short.

You learn that no matter where you have arrived, but where you're going but if you do not know where you're going, Anywhere will do.

Learn that either you control your actions or they will control, be flexible and that does not mean being weak or have no personality, because no matter how delicate and fragile the situation is, There are always two sides.

You learn that heroes are people who have done what was needed, facing the consequences.

You learn that patience requires a lot of practice.

You discover that sometimes the person you expect to kick when you fall into one of the few that help you get up.

You learn that maturity has more to do with the kinds of experience you had and what you learned from them than with how many birthdays you've celebrated.

Learn that there are more of your parents on you than you thought.

You learn that you should never tell a child that dreams are silly, few things are so humiliating, and would be a tragedy if they believed it.

You learn that when you're angry you have the right to be angry, but that does not give you the right to be cruel.

You realize that just because someone does not love you the way you want that love does not mean that someone does not love him, Because there are people who love us, but just do not know how to show it.

Learns that it is not always enough to be forgiven by someone, sometimes you have to learn to forgive himself.

Learn that with the same harshness you judge, at some point you will be condemned.

You learn that no matter how many pieces your heart was broken, the world does not stop for you to fix it.

You learn that time is not something that can turn back.

So plant your own garden and decorate your own soul instead of waiting for someone to bring you flowers.

And you learn that you really can endure ... You really are strong, and can go much away after thinking it can not be more.

And that life has value and that you have value in life!

Our doubts are traitors and make us lose the good we could take, if it was not afraid to try.

 William Shakespeare

segunda-feira, novembro 1

da espera

Na vida só devemos esperar por algo que seja, no fundo, especial. Para que todos os dias de espera ganhem algum significado. Para que no fim tudo seja menos doloroso. Para que depois possamos ter aqueles momentos em que olhamos para trás, para o Passado, e nos apetece rir. Do que fizémos. Do que pensámos... Do que vivemos.

*Bea

por vezes não basta

Por vezes não basta o que alguém nos quer dar. Por vezes não basta que alguém nos tente compreender. Que tente esforçar-se... Que tente lutar... Que despeje nas nossas mãos mil palavras. Não basta que tente. Por vezes não nos basta isso. Tentativas. Tentativas que, no fundo, não nos enchem o coração.


*Bea

da completa desilusão



Podemos entristecermo-nos com as palavras mais cruéis. Podemos sofrer as maiores injustiças. Criar feridas abertas no nosso coração. Caminhar dias e dias sem fim com dúvidas que nos atormentam. Que nos atiram para sítios inimagináveis de sofrimento. Mas para mim, nada destroça tanto por dentro, como uma grande desilusão. Uma desilusão vinda, principalmente, de alguém que nos ocupa um lugar tão grande no coração. E é como se de repente as árvores estivessem mais despidas, os campos mais desertos, as músicas com menos melodias, as palavras com menos significados. Porque o lugar no nosso coração ficou irremediavelmente com menos, muito menos, brilho. Torna-se num lugar de memórias antigas, que mais não fazem do que nos obrigarem a lembrarmo-nos de que o nosso coração, no fundo, no fundo, só nos pertence a nós. E somos nós que temos de o carregar, com mais ou com menos pesar, com mais ou com menos vontade, com mais ou com menos vida.

*Bea

de fones postos

De fones postos aumento o volume até não ouvir nada, nem o bater do teu coração, nem o bater do meu, nem a tempestade formada pelos meus pensamentos.
De fones postos entrego a minha mente à música, ao ritmo desconcertante e à letra indubitável. 
De fones postos esforço-me por te esquecer, por vos esquecer.


Peço-vos que me deixem esquecer-vos.


*Bea 

domingo, outubro 31

Desafio

[10 coisas que gostaria de dizer a 10 pessoas diferentes]


1: Mãe, nenhuma palavra ou frase seria suficiente para dizer a alguém que representa o mundo para mim. Um mundo de dias, esses sim, perfeitos. «I carry your heart with me(I carry it in my heart)I am never without it» E. E. Cummings

2: Marta, os dias sem ti são imensamente mais vazios e é como se chovesse continuamente dentro de mim. A única coisa que atenua a dor da tua ausência é a certeza que tenho de te ter dito ao longo de todos estes anos, tudo aquilo que significavas para mim. Se soubesse que nunca mais ouviria a tua voz, não teria acrescentado nenhuma palavra. Tu já as sabias, dentro do teu coração.

3: Ana, obrigada por tentares tão arduamente compreender todos os recantos da minha alma. Contigo, todos os caminhos da minha vida são mais fáceis de percorrer.

4: Carmo, conheci um céu de estrelas contigo. O maior e mais brilhante de todos.

5: Joana Gabriel, o que te distingue verdadeiramente das pessoas, é que não é o quanto dizem ou sentem que nos amam, mas o quanto abdicam, sacrificam e dão de si mesmas, em nome desse amor.

6: Miguel Carvalho, tenho tanto orgulho em ti. Gostava que acreditasses mais na felicidade.

7: Pedro, lamento tanto que para ti uma promessa seja apenas e somente um conjunto perdido de palavras esquecidas.

8: David, a vida vai ensinar-te que o amor que os outros nos têm é frágil e que quando o damos por garantido, arriscamos-nos muito a perdê-lo para sempre.

9: Luís, porquê?

10: Joana Alves. 


*Bea

quinta-feira, outubro 28

da maldade

Há pessoas que não pedem mais da vida do que terem a habilidade de entristecer os outros. Ou destruir, pedaço a pedaço, a felicidade alheia, porque, no fundo, a luz que vem das vidas dos outros incomoda-as, na sua escuridão. Incomoda-as existirem pessoas longe, em alguma parte do mundo, que vivem felizes... Que têm dias felizes, repletos de luz. E, em casos mais comuns, incomoda-as existirem pessoas tão perto que vivem assim. 
Como se costuma dizer, "longe da vista, longe do coração"... Há cada vez menos pessoas que vislumbram um raio de luz na vida de outra pessoa e se sentem verdadeiramente felizes por aquele raio de luz na vida daquela pessoa. A maioria das pessoas podem, indiscutivelmente, não o tentar apagar, mas não se sentem verdadeiramente felizes por ele. Porque não brilhou na direcção daquelas pessoas. Porque está longe. Porque, possivelmente, outro como aquele não virá tão depressa. Porque fez alguém sorrir. Porque as faz lembrar que elas continuam na escuridão. 
E é assim que conseguimos ver a natureza de cada pessoa. As que vivem na escuridão por algum motivo e se sentem felizes por existirem pessoas que vivem fora dessa escuridão... E as pessoas que vivem na escuridão e julgam, no seu egocentrismo, que todo o restante mundo, todas as pessoas, deveriam igualmente viver na escuridão. Os esforços que fazem para que os outros não sejam felizes podem ser poucos ou muitos... Mas e os esforços que fazem para elas próprias sairem da escuridão? Nenhuns.


*Bea 

terça-feira, outubro 26

da distância


Iludimo-nos achando que a dor da distância, o que dói cá dentro quando estamos longe de alguém importante, facilmente desaparece com o passar dos dias. Achamos que a dor vai, pelo menos, diminuindo. Que dia após dia, a dor vai ficando mais e mais pequena, sentimos nós. 
Mas tudo não passa de uma ilusão. Uma ilusão que a nossa cabeça perigosamente faz, para nos habituarmos à ausência. E à dor. E à própria distância. Porque há sempre aqueles dias em que possivelmente percebemos que a dor não diminuiu. São os dias em que percebemos que a dor andou apenas adormecida dentro de nós e que repentinamente acordou, para nos provar que ainda ali está e que precisa de cuidados e tempo, para sarar. E, eventualmente, que precisa também que a distância diminua e acabe por desaparecer.


*Bea

domingo, outubro 24

da essência

A essência vê-se através de coisas tão simples como a forma como escrevem sobre a sua própria tristeza e a sua alegria, a forma como tratam os animais, a forma como reagem a um coração despedaçado, ou se levantam todos os dias para dias reais... Dias reais que, por serem reais, são quase sempre invariavelmente imperfeitos, com momentos, isso sim, perfeitos.
A essência das pessoas vê-se na maneira como sorriem quando reencontram alguém, como conversam, mas sobretudo como ouvem os outros. 
A essência das pessoas vê-se na sua vontade existente ou inexistente de serem felizes, apesar de todas as contrariedades. Na sua capacidade de reacção face a centenas de maus dias... Maus dias? Venham eles! Porque eu quero tanto mais da vida! (descubram a minha essência)


*Bea

da resistência

Vivemos a achar que o difícil é chegar a um destino. O que percebemos poucas vezes é que o difícil é mantermo-nos no caminho. Num caminho que nos leve a todos os sítios a que planeámos ir. Ou sítios que têm, achamos nós, de fazer parte do nosso caminho. Sítios que um dia fazem sentido e no dia seguinte deixam de fazer. Sítios comuns para muitas pessoas e incomuns para outras. Esquecemo-nos muitas vezes que, por vezes, nos desgastamos tanto nesses caminhos que andamos a viver sem pensar que vamos em direcção a um destino. Damos por nós só a sobreviver. E algo tão simples como caminharmos, respirarmos e vivermos, torna-se de repente complicado. Porque há dias em que não apetece caminhar, nem respirar, nem viver. 
Ainda assim conseguimos reparar numa estranha dicotomia. Embora de vez em quando nos custe caminhar, respirar, viver, quanto mais difícil é o nosso caminho, mais completos nos sentimos. Mais fortes ficamos... 
Porque há alguma verdade nisso de "What doesn't kill you makes you stronger". E consoante o caminho que escolhemos, podemos ver eventualmente mais sorrisos do que lágrimas. Mais dias de sol. Menos dias cinzentos.
Fez sentido?


*Bea

da solidão


Passamos os nossos dias rodeados de pessoas. A grande maioria dos nossos dias. 
Podemos estar rodeados por todas estas pessoas e ainda assim sentirmo-nos estranhamente sós. 
Podemos estar rodeados de pessoas menos próximas, com quem nos cruzamos nos nossos dias mas de quem não exigimos mais do que um sorriso hoje e uma palavra amanhã. 
Podemos estar rodeados de pessoas mais próximas, que realmente sabem o que dizer e quando dizer, como agir, como falar e como ouvir, sem termos de lhes explicar como... 
No fundo, podemos estar rodeados até pelas pessoas que nos fazem mais felizes, que, invariavelmente, há um momento ou outro do nosso dia em que nos sentimos tremendamente sós... E é como se uma barreira invisível nos separasse a nós dos outros. Porque tudo se resume a uma coisa tão simples como podermos compreender os outros, saber como se sentem, mas não podermos efectivamente viver por eles nem eles por nós. Podemos realmente sentir todas as partes em que um coração foi despedaçado, mas não podemos tê-lo como nosso. 
Assim é connosco também: podemos ter momentos perfeitos, em dias imperfeitos, pessoas que nos fazem muito felizes, mas ela está lá. Existe sempre. Faz parte da nossa condição de sermos um só: a solidão interior, que para uns é maior e para outros menor. 
E é um pouco como aquela música dos Queen:


"How would it be if you were standing in my shoes?"
No fundo, no fundo...
Nunca saberemos. Nem os outros nunca saberão.

*Bea

segunda-feira, outubro 18

Realidade (?)

"O presente consumido em sonhos inconsequentes torna-se ilusão."

Fernando Pessoa

*Bea

Melhor Amigo :/




















"Hoje vou-vos falar do meu melhor amigo
(...)
Sim, o meu melhor amigo
(...)
Aquele que jamais me fará chorar"

Lembraste? Pois bem.. Assim que fechei a porta depois da tua breve visita, só senti a minha cara húmida e rios salgados que escorriam dos meus olhos. Fizeste-me chorar.
Nunca mais digas "talvez não volte a brincar contigo" quando eu sei que basta que isto não aconteça para que o "nós" mude completamente. 
Brinca comigo, fala comigo, partilha comigo como tens feito até hoje!

Acredita que estou feliz por estares feliz, acredita que amo ver o sorriso que agora tens sempre plantado na tua fronha! Mas também acredita que não é a tua felicidade que me vai resolver os problemas.. É a tua compreensão e apoio.
Só te peço que de vez em quando te esforces por ouvir..
Agradecia que isto voltasse a ser o que era.

*Bea