segunda-feira, dezembro 13

Amo-te

Cada um é como é.
Cada um é o que é. E o é devido às várias variáveis que compõem a sua personalidade.
Uma dessas variantes é exactamente a maturidade.

Nós facilmente distinguimos uma pessoa imatura de uma matura.
Os seus actos, o que diz, como reage, são tudo pequenas peças de Lego de uma enorme construção, construção essa que nada mais é que a essência da pessoa. Essa essência poderá estar mais trabalhada, poderá ter vivenciado mais, como poderá ser mais infantil e ainda não se ter desenvolvido. E isto é visível.

O que não é tão visível é o estado de maturidade dentro de alguém já maturo. Como é que conseguimos analisar todo o processo que decorre por detrás de um pensamento? De um acto? De um dizer? Não conseguimos. Não conseguimos medir a complexidade da linha de raciocínios, a profundidade dos sentimentos, se as palavras são veras (até porque elas o são, porém, a longevidade da veracidade varia consoante a realidade de cada pessoa, varia consoante as experiências e lições delas aprendidas).

Eu digo isto, e digo-o com toda a certeza que agora me é possível dar. Amanhã talvez esta certeza ainda seja a mesma, mas quem sabe, depois de amanhã, ao ler isto, direi "oh Beatriz, não sabias nem metade da história". Pode não ser depois de amanhã, mas é claro que a minha capacidade de compreensão aumentará! Perceberei mais e mais de tudo o que vivo. Porque nós somos assim. Estamos destinados à constante evolução. Os próprios conceitos evoluem. Uma palavra hoje pode ter um significado, mas num futuro que aí se aproxima poderá (vai ter) um outro tão mais profundo.

E é neste contexto que o "amar" e o "amo-te" vêm. Há quem os use simplesmente por usar - os imaturos - há quem os use simplemente em alguns casos porque já "sabem" que é um termo importante - os maturos - e há quem os use em um e um só caso - os crescidos.
Aquilo que se diz para o "amo-te", diz-se para todas as acções de que somos responsáveis.

Mas nós, desde o que somos até crescidos ainda vai muito. E cada vez mais espero que a minha fase de crescida demore muito a chegar porque cada vez mais gosto desta fase em que me encontro: numa fase de maturidade suficiente para perceber certas coisas e para a auto-descoberta onde tudo, todos os episódios, todas as palavras, todos os sentimentos, todas as recordações parecem ter novas cores, mas imaturidade suficiente para me ajudarem e guiarem quando sinto que estou no escuro.

*Bea

4 comentários:

  1. melancólico e cliché? mas esta gente droga-se?
    está radiante e único! nunca li nada tão lindo!

    PARABÉNS!

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  2. Um exemplo de como se deve viver a vida e não apenas deixar-se levar pela vida... Como não ser esferovite, ser profundo. Sê o que és, mas sê-o profundamente. Muito bom, mesmo!

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  3. Também quero ficar nesta fase o mais possivel Beatriz :p Escreves incrivelmente bem! :O muitos parabens! :)

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  4. *Beatriz Ribeiro! LOL

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